30 de mai. de 2021

Live "Tiro o Chapéu" com mestre Ediandro


✍🏿 Africa ConVidou... E foi uma maravilhosa live!

👉🏿 Mestra Janja, Mestra Tisza, Mestra Brisa, C.Mestra Luana numa roda de conversa onde a CAPOEIRA nas  suas diversas possibilidades mostrar de forma engrandecedora grandes reflexões de diferentes olhares.

✅ A Live foi neste domingo 30/05/2021 ás: 20:00 🇪🇸 15:00 🇧🇷 

TRANSMITIDA NO FACEBOOK E YOUTUBE
👉🏿 Facebook: https://www.facebook.com/ediandroalmeida/
👉🏿 Youtube: https://www.youtube.com/c/CapoeiraBanzodeSenzala 

🍀 Grande oportunidade de conhecerem nossas convicções sobre a capoeira...

Confiram neste link:

https://youtu.be/CeXMx5ZMHvY

28 de mai. de 2021

Live com o mestre Ediandro, mestras e capoeiras de valor!!!


✍🏿 Africa ConVida

👉🏿 Mestra Janja, Mestra Tisza, Mestra Brisa, C.Mestra Luana, Prof. Mônica Beltrão...

... para uma roda de conversa onde a CAPOEIRA nas  suas diversas possibilidades mostrar de forma engrandecedora grandes reflexões de diferentes olhares.

✅ A Live será o próximo domingo 30/05/2021 ás: 20:00 🇪🇸 15:00 🇧🇷 
TRANSMITIREMOS POR FACEBOOK E YOUTUBE

👉🏿 Facebook: https://www.facebook.com/ediandroalmeida/
👉🏿 Youtube: https://www.youtube.com/c/CapoeiraBanzodeSenzala 

🍀 Grande oportunidade

✅ Te esperamos

Mestre Ediandro De Almeida Banzo

17 de mai. de 2021

Live na Identidade do Capoeira... 20.05.. 20h


Vamos discutir assuntos polêmicos na capoeira... 

A) fake news;
B) vaidade;
C) política e politicagem;
D) Capoeira e religião; 

Vamos ? Não percam!

10 de mai. de 2021

Live em junho com o mestre Adelmo...



Dia 04 de junho de 2021, as 19h!
Não percam...


20 de abr. de 2021

Live sobre Partido Brasileiro da Capoeira (PBC) - Facebook naIdentidadedoCapoeira



Ontem, 19/04/2021, às 20h,  tivemos a 3ª Live aberta à todas as pessoas interessadas em saber e/ou se juntar na formação do Partido Brasileiro da Capoeira. 

Estavam presentes além dos apresentadores/mediadores Mestre Dungha e Contramestre Fly, os mestres Itapoan, Piauí, Bamba, Jean Pangolin, Reinaldinho e Morgado. 

Fui convidada para representar o seguimento Feminino nesta luta. 
Vamos Juntas?!!!!

Quem quiser assistir pode clicar neste link https://fb.watch/4ZNJkYalmX/ ... 
Live do Partido Brasileiro da Capoeira!

 

16 de abr. de 2021

ESPELHO, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS IMPORTANTE DO QUE EU?: pensando no capoeira Narciso


Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

Você já conheceu algum/a capoeira que só pensa em si? Que na roda, geralmente, se acha o rei do pedaço, sendo sempre o mais importante? Que não consegue admirar eventos de outras pessoas, pois os seus são sempre os melhores!? Que só se atrai por projetos que alimentem a sua vaidade? " Pois é! Neste texto trataremos do "Capoeira Narciso".

O capoeira vaidoso assume todas as características do narcisista? Mas o que é isso? Conta-se, lá na Grécia, que Narciso era um homem muito belo, que por ser esnobe, acabou recebendo uma maldição, na qual só poderia se apaixonar por alguém que o desprezasse. Advinha por quem ele se apaixonou? Pela sua imagem refletida na água! Por não ser correspondido, acabou definhando e, ao mergulhar para possuir o ser alvo de sua paixão - o seu reflexo, acabou morrendo. 

Narcisismo é um termo que refere-se a vinculação de uma pessoa a si mesma, ou seja, é aquele individuo que possui um interesse exagerado e doentio em suas próprias questões, necessitando da aceitação e aplausos dos outros, pois seu inconsciente esta repleto de registros infantis negativos da sua invisibilidade cultural e, conseqüente vazio existencial, portanto, existe uma "ordem" ao consciente para que sempre busque fora a deferência alheia, no sentido de neutralizar a ansiedade neurótica latente dos registros de "criança ferida". 

O Capoeira vaidoso se imagina "imortal" e superior aos demais indivíduos, não admitindo absolutamente nada que esteja fora do âmbito de seu interesse particular. Muitas vezes, quando algo ou alguém atenta contra seu "espaço de poder", sua frustração se amplia, demasiadamente, evidenciando um estado agressivo em seu comportamento contra tudo e todos. A raiva e o rancor tomam conta, como uma resposta consciente da demanda de proteção gerada pelo inconsciente, denunciando uma grande fragilidade emocional.

Quantas vezes vemos o/a capoeira que por vaidade, deixam de produzir algo de bom para todo o coletivo, pois não achou que a proposta lhe projetasse enquanto indivíduo? Quantas vezes vemos brigas de capoeiristas, por que simplesmente, sua ideia não "venceu" numa determinada discussão? Quantas vezes vimos rodas maravilhosas acabarem por conta de um/uma capoeirista, que chega e acha que só quem deve jogar é ele/ela, tirando o direito de todo o resto? Quantos grupos se dissolveram pela incapacidade de um dos integrantes de recuar? Quantos mestres/as não passaram anos sem se falar por conta de vaidade? Quanto desperdício da potência coletiva...

Para enfraquecer o Narciso que há em nós, basta lembrar da filosofia que nasce dentro da roda de capoeira, na qual sendo organizada por uma bateria de instrumentos, possui três berimbaus - Gunga, médio e viola, no qual independente do Gunga ser considerado quem vai dar o tom, dizendo qual ritmo e tipo de jogo, não vive sem seu conjunto que o acompanha e estrutura todo a energia vital da roda!

Portando lembre o ditado que diz que "nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos"! 

Axé!

Ei, psiu!? Gostou? Então compartilhe! Ajude a capoeira a refletir!

Ouça Texto 16_ ESPELHO, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS IMPORTANTE DO QUE EU? de Mestra Brisa _ Carol Magalhães no #SoundCloud
https://soundcloud.com/mestra-brisa-carolina-magalhaes/texto-16-o-capoeira-narciso-1/s-dlZDuHlsxsc?ref=clipboard&p=a&c=1&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing

11 de abr. de 2021

JuntAS rumo a fundação do PBC...

Entrevista com a Mestra Brisa (canal YouTube Gritomarcial)


Longa e satisfatória papoeira com o canal Grito Marcial no YouTube ...

Assistam e deixem seu comentário.

Acesse pelo link https://youtu.be/Fb0WcYkAa9Q


O movimento feminista na capoeira l Canal gritomarcial (Instagram)



O movimento feminista na capoeira l Canal gritomarcial (Instagram)

Uma conversa franca com o Contramestre Cavalo no canal do Instagram sobre o que a mestra Brisa acha sobre Movimento feminista na Capoeira.

Para assistir acesse o link https://youtu.be/fIelQ0xIRzg

Qual sua opinião? Deixe nos comentários...

21 de mar. de 2021

A política e a politicagem na capoeira: duas faces da mesma moeda


Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin
 
 
Sabe aquela descrença que nos abateu entorno da "política", sobretudo quando nosso país nos dá tantos indícios de que o que vem da "política" não presta, é sempre vinculado a roubos, desvio de verba pública e etc? Ainda mais quando aproximam a política da capoeira, aí é que eu engasgava e dizia... - Não quero saber disso aqui, não! Então... Compartilhamos da mesma sensação, porém com o tempo e a aproximação com os conceitos, pude perceber que estava a misturar duas coisas diferentes... Disso que trataremos no texto a seguir...
 
Iniciarei tratando do que é política, do ponto de vista conceitual... Segundo o dicionário Michaelis, política vem do grego πολιτικός / politikos, significa a "arte ou ciência de governar", algo que tem a ver com a organização, direção e administração de nações ou Estados. Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância. Neste sentido, política se aproxima do ato de organizar, dirigir, administrar algo. Trazendo pra capoeira, seria como o papel do mestre diante de seu grupo de alunos, sua roda, fazendo a gestão deste "organismo vivo" que são os capoeiras no entorno da capoeira.
 
Ora! Se pensarmos no nosso país como uma grande roda, poderíamos entender que a política estaria concentrada nas mãos da/o nossa/o mais antiga/o - a mestra, pela experiência reconhecida publicamente, em mãos dadas aos seus alunos mais antigos (contramestres/as, professores/as, formados/as, treinéis...) na complexa lida com o conjunto de praticantes. Este seria o desenho que representaria a política em nossa arte.
 
Um elemento importante está por trás desta cena que, tal como na sociedade, nos preocupa. Quais os objetivos que mediam a ação desta mestra ou mestre, gestor desta cena onde a política atua - a RODA? Seria congregar? Seria o bem comum? Seria a formação dos capoeiras para a construção de uma visão crítica e emancipatória ao seu redor? Seria então para ter um "clã" sobre seu domínio e abuso de poder? Seria para adquirir em favor de benefício próprio, esquecendo de REPRESENTAR caminhos de prosperidade para seu coletivo?
 
Boas e intrigantes perguntas. Me fizeram começar a refletir e compreender mais sobre a "política", sua missão e como ela deve ser gerida, e como ela também pode ser desviada, a depender dos objetivos de quem a conduz, servindo a diferentes propósitos que não representem um coletivo.
 
Ou seja, quando alguém têm a oportunidade de representar um conjunto de indivíduos, suas idéias, suas necessidades, bem como gerenciar os negócios públicos, jamais pode monopolizar o “fazer” da política, este “Fazer” deve ficar a cargo, ou subordinado aos interesses de todos os integrantes do coletivo, da comunidade, do município, da unidade e do Estado.
 
Assim comecei a entender que política é responsabilidade de todas as pessoas representadas, pois serve a todas elas! Assim comecei a entender também que não era a "política que não prestava", como disse no começo deste texto, e sim, a POLITICAGEM.

Ainda segundo o dicionário Michaelis, Politicagem, termo pejorativo, significa a "Política de baixo nível, voltada para os interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes". Seria como em uma roda, nosso representante máximo - o/a mestre/a, beneficiar um aluno em detrimento de outros por troca de favores - financeiros, logísticos, afetivos, etc; ou utilizar-se do grupo de alunos para conseguir benefícios particulares, esquecendo de que estes benefícios devem servir ao coletivo; ou por último, algum aluno mais velho, ou mais influente, que passe a gerenciar os interesses de um antigo mestre - por sua idade avançada, e passar a se beneficiar deste lugar em benefício próprio.... enfim, cabe a tantas situações infelizmente, que nem consigo enumerá-las.
 
Nesta mesma linha da politicagem, invariavelmente, temos escutado que os "fins justificam os meios", ou seja, seria legítimo "manipular" o resultado de um edital publico para a capoeira, em favor de "A" ou "B", sob a premissa de que este ou aquele "precisa mais".... Perdão, mas um ERRO não justifica outro. Algo muito atual semelhante acontece quando escuto alguém falar que "precisamos decidir pelos antigos mestres", pois estes não possuem consciência critica política... Lamentável!! Enfim, cabe aqui a reflexão de que quando burlamos as estruturas de encaminhamentos da política, abrimos um precedente que, invariavelmente, poderemos ser vítimas em um futuro próximo, pois, "pau que dá em Chico, dá em Francisco".
 
Escutei um sujeito falar que "em um sistema injusto era legítimo usar todas as armas para beneficiar uma dada causa", isso tudo foi feito, a partir um discurso "inflamado" e "rancoroso", transformando a "roda de capoeira" em uma espécie de veículo para recrutamento de novos soldados ideológicos para a causa defendida pelo autor da fala, contudo, após o discurso eloqüente, quando a capoeira foi iniciada no "chão da roda", não percebi a "militância" emergindo/fluindo do berimbau bem tocado, do jogo cadenciada e/ou da cantiga entoada com o conteúdo crítico da emancipação humana. Assim, percebi que para eficácia da POLITICA na capoeira precisamos "vesti-la" da ritualística ancestral que compõe a dinâmica cultural, pois fora disso, só teremos a velha politicagem travestida falsamente de política boazinha.
 
O capoeira politizado não pode se estruturar fora do POLITICO "CAPOEIRIZADO", aquele que faz o berimbau "gritar" por dias melhores, aquele que seu jogo é a materialização de uma mobilidade subversiva, aquele que seu canto faz pensar para além das denúncias óbvias, trazendo para si e para os outros, o embrião de um mundo mais justo e emancipado, considerando uma lida cotidiana em que "fazemos aprendendo" e "aprendemos fazendo".

Tocando uma cavalaria, em alerta máximo, conclamo a todos revisitarem seu conceito de política, ampliando-o, para que possamos assim, vestir nossa indumentária e seguir fazendo política na capoeira, não politicagem! Participem! Elejam com consciência quem será seu representante! E se você é capoeira, se possível, seja representado por um capoeira, legítimo, reconhecido, de boa índole e de boa fé!

Axé!

Ei, psiu, gostou? Então compartilhe, ajude a capoeira a refletir!

Ouça o áudio no link https://soundcloud.com/mestra-brisa-carolina-magalhaes/texto-15_a-politica-e-a

6 de mar. de 2021

Live em comemoração dos 35 anos de Capoeira em Lages, Santa Catarina...

Homenagem da Academia Clips de Capoeira ao dia Internacional da Mulher!


É com grande felicidade que recebo a homenagem da Academia Clips de Capoeira em Amargosa, pelas iniciativa do mestre Gilson, ao dia Internacional da Mulher!

Momentos como estes, lembramos o tamanho do caminho percorrido, sem esquecer que a condição de aprendiz deve continuar nos conduzindo!

Axé!

5 de mar. de 2021

Live da GUETO Capoeira_ Os desafios do século XXI e as contribuições da Capoeira

Foi muito produtiva... Falamos de Capoeira como educação, na pandemia, nas questões de gênero, como filosofia de vida... Muito rica, vale a pena assistir!

Assista a live no YouTube clicando neste link: https://www.youtube.com/watch?v=y_tlSYPiWjk

1 de mar. de 2021

O "CAPOEIRA 100%": potencialidades e desafios de uma vida de dedicação exclusiva...

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

Hoje em dia escuto muita gente falando sobre ter que ser "capoeira 100%"... Observem, até eu já falei muitas vezes isso, querendo fazer a defesa de que o capoeirista deve dar exclusividade a capoeira, conectando todos os campos da sua vida à esta arte. Porém, hoje me pergunto quais os desafios e potencialidades desta escolha? Trataremos neste texto sobre estas inquietações que, com certeza, são perguntas que nos fazemos ao longo da vida.

Na vida, muito do que desejamos depende de alguns fatores e competências para ser erguido, materializado... Entrega, planejamento, disciplina, "terreno fértil", são alguns elementos que reunidos alicerçam o progresso humano em qualquer área da vida. Com a capoeira não seria diferente. Para se estruturar uma vida próspera na capoeira, seja ela profissional, técnica e/ou filosoficamente, é preciso dedicar-se a compreendê-la, apreendendo seus conceitos, fundamentos, rituais, bem como suas relações com os diversos campos da vida humana (ciências sociais, humanas, saúde, exatas e suas aplicações). 

Neste caminho, o capoeira que tem este desejo, passa a estabelecer uma busca de "ver, sentir, apreciar" a capoeira em tudo ao seu redor. Passa a correlacioná-la, por exemplo: - em sua vida profissional e financeira: ministrando aulas, cursos e palestras, produzindo e fazendo shows, confeccionando e vendendo instrumentos,  administrando associações/centros de treinamento, escrevendo livros, realizando eventos, produzindo canais de informações na internet...; - em sua vida afetiva e familiar: se relacionando com um outro(a) capoeira ou envolvendo seu/sua companheiro(a) na lida com esta arte, relacionando o cotidiano familiar com a capoeira, tendo filhos/as capoeiristas...;  - em seus momentos de lazer, de estudo, de religiosidade... Tudo passa a girar em torno da capoeira... 

Quanta riqueza de relações estabelecidas, hein?!! Uma teia de entrelaçamentos que nos fortalece enquanto capoeiras, importante, sobretudo, quando vivemos em uma sociedade que ainda não valoriza nossa capoeira, sem reconhecer seu alto poder educativo, inclusivo, socializador e emancipatório. Porém, é preciso refletir sobre um outro lado...

Nesta defesa do "capoeira 100%", acima desenhado, sempre me intrigou a crítica/auto-crítica ferrenha feita ao "capoeira vivido", que sempre experimentou outras experiências fora da capoeira, ambientes outros que carregavam tamanha riqueza dentro da formação humana no campo das artes, cultura, turismo, relações humanas, psicologia, tais como: ir ao teatro, à shows, visitar diferentes lugares como paraísos tropicais, cidades históricas, conhecer culturas diferentes, cozinhar e comer comidas saborosas em lugares especiais, educar e curtir os filhos em espaços de lazer/estudo/ócio, dialogar com outras culturas populares, fazer um esporte diferente ou terapias alternativas, dançar, olhar o mundo por uma outra ótica que não a apresentada pela cultura da capoeira. Tudo isso também é enriquecedor, inclusive aporta ao cotidiano de um capoeirista, a maturidade para reconhecer a riqueza da capoeira e da vida. 

Tenho visto muitos críticos que dizem: -Ela/ele não é "100% capoeira", mas o que de fato seria bom pro capoeira e para a arte capoeira? 

Lembremos que, mesmo focando a discussão presente no âmbito da arte capoeira, não podemos ser ingênuos de pensar que a resposta está, exclusivamente, na capoeiragem em si, visto que qualquer prática humana sofre a influência de seu tempo histórico e seus desafios de leitura da realidade. Neste sentido, é necessário refletir que a lógica de conhecimento multifacetado e centralizado na capacidade humana é um reflexo do pensamento renascentista em contraponto a Idade Média, que tinha Deus como centro de todas as coisas, ou seja, o que apresentamos aqui não é um conflito existencial novo, nem tão pouco exclusivo da comunidade de capoeira. 

Na perspectiva renascentista o formato de ser humano perfeito era aquele que conhecia todas as artes e todas as ciências, ou seja, multifacetado. Leonardo da Vinci foi o grande exemplo deste ideal, pois dominava várias ciências e artes plásticas, não estando vinculado, especificamente, a uma só área de conhecimento. Assim, fica fácil perceber que nossas inquietações sobre os defensores da "exclusividade" em capoeira, em linhas gerais e de forma análoga, pode representar um retorno ao pensamento restritivo e castrador da idade média.

O capoeira antes de tudo é um ser humano, ser social, quanto mais souber, mais aplicará com maestria em nossa arte, portanto convido aqui a pensarmos que extremos são perigosos, e anunciam inseguranças. Quem sabe o "capoeira 100%"  no sentido da dedicação exclusiva, não perca neste foco único e fechado, tantas compreensões análogas que enriquecem sua lida cotidiana? Passa a ser limitado, rígido, por não conhecer outras leituras, linguagens... A maioria dos momentos que vivi na vida, me aportaram a variedade de olhares que trouxe para interpretar a minha capoeira, enfim... Não é "traição" - conforme falam, o capoeira experimentar outras "cenas"...  "Traição" talvez seja manter-se alijado de experiências múltiplas vividas, ofertando à capoeira um pensamento sempre atrasado e monolítico de interpretação das coisas e das pessoas, na dinâmica das relações humanas em comunidade.

Finalizo afirmando que a postura mais "arriscosa" para a capoeira, talvez não esteja nem no "capoeira vivido", nem no "capoeira 100%", esteja mesmo no "capoeira baratino", descompromissado, aquele que vive de tudo menos a capoeira com a profundidade necessária, mas, mesmo assim tenta a todo custo reinvidicar as benesses do reconhecimento público capoeirano sem ter "farinha no saco"... 

Enfim... SE LIGUE!!!!! Na real, como falamos no início do texto, meu camarada "na vida só quem planta, colhe!", pois "a pedra de tropeço é o impulso para o avanço!", ou seja, sem as experiências da VIDA, sua capoeira MORRE!

Ei, psiu! Gostou? Então compartilha, pra que nossa capoeira possa refletir ...

https://portalcapoeira.com/capoeira/o-capoeira-100/

Ouça Texto 14_ CAPOEIRA 100% no #SoundCloud
https://soundcloud.app.goo.gl/XF4zL

19 de fev. de 2021

Assista nossa live (Dedode prosa com m. Boa Gente) na íntegra!

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10225061097256101&id=1278195063


Para quem não assistiu, vale a pena ver de novo!

Minha história, meus pensamentos, minhas crenças,Capoeira da Bahia, nossos antigos, meu cantar!

Será um honra que possas dividir comigo a minha história!

18 de fev. de 2021

12 de fev. de 2021

Juntos na Presidência e secretaria da World Capoeira Federation . WCF


Só o trabalho traz o reconhecimento...

Aprendi esta lição nos duros e longos anos de dedicação a nossa nobre e subversiva arte CAPOEIRA!

A Bahia, minha inspiração e missão na zeladoria de nossos Fundamentos!

O CAPOEIRA "BUNDA DE CARURU"


 O CAPOEIRA "BUNDA DE CARURU"

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin



O caruru é uma comida típica daqui da Bahia, prato tradicional da festa de São Cosme e Damião e do orixá Iansã, de origem africana, possui uma consistência meio pastosa/mole, pela presença da "baba do quiabo" e outros ingredientes, e por isso, nas ruas sempre que se quer fazer referência a alguém medroso, excessivamente cuidadoso, mole para com as coisas da vida, dizemos....."bunda de caruru". Neste sentido, trataremos aqui sobre os capoeiras que não se permitem a "entrega" no jogo, aqueles que por temor ao desconhecido no desenrolar da roda, sentem uma ansiedade tão grande que não conseguem viver a experiência de vida com plenitude. 


A roda de capoeira muitas vezes funciona como uma "microcena" da vida, ou seja, as experiências da dinâmica do jogo na arte servem como fonte de saber para a lida com as situações do cotidiano. Assim, invariavelmente, estamos sempre rodeados de pessoas com comportamentos diferentes, sendo estes sempre fruto da história individual de cada ser, na relação com o outro e consigo mesmo. 


Também podemos ver a roda como um grande organismo social único, vivo e potente, mesmo considerando um cenário de diversas individualidades com limites e potencialidades, ou até com os dois juntos - o que pra mim seria o ideal, mas esta escolha depende muito de como cada capoeira vê a vida, focando numa perspectiva mais ampla, ou de forma mais seguimentada.

A partir de suas histórias individuais, as pessoas podem desenvolver ansiedades e/ou temores em virtude das experiências que tiveram acesso. Por exemplo, uma família superprotetora pode exceder em cuidados, privando seus membros de experiências que desenvolvam a autosegurança, gerando indivíduos inseguros que só aprenderam a temer os desafios do mundo. Desta forma, muitas vezes, essas inseguranças podem vir travestidas por relações de dependência dos pais, amigos e/ou namorada/o, gerando uma ansiedade frente a todas as situações em que são convocados pela vida a se posicionarem, ou seja, sempre que a pessoa está em um contexto em que não possui referências de enfrentamento, a fragilidade na lida com o poder se manifestará pela condição de inferioridade, indicando que o individuo “não é bom o suficiente” ou “não conseguirá sozinho” enfrentar a adversidade posta, criando, na maioria das vezes uma resposta de fuga e/ou vitimização, tendo a ansiedade como símbolo maior de despreparo para a vida.


Na capoeira vemos situações assim pra todo lado. Quantas vezes ao se deparar com uma roda mais forte, onde como se diz aqui na Bahia "só vai quem tem negócio", observamoss o/a capoeira esquecer de todo o conhecimento adquirido na lida com o ritual da roda, toda a bagagem experimentada nos anos de experiência, se colocando frente a roda como alguém impotente e incapaz? Não vou longe, não! Isso acontece também diante de um novo desafio de trabalho em capoeira numa área nova, seja ela de ensino, de show, de fabricação de instrumento ..., no qual a primeira resposta frente ao convite é "NÃO", muitas vezes em virtude da insegurança do NOVO. Ou no aprendizado de um movimento novo, no qual o indivíduo já anuncia internamente que é impossível de aprendê-lo, se colocando como incapaz. 

Muitas destas sensações de impotência podem nascer de fato por uma incompetência real, mas tratamos aqui do recuo imediato sem a mínima tentativa ou fundamento de ser, sem o mínimo estudo prévio sobre as reais chances de vencer tais demandas... Pois é... Muito disso, possivelmente, nasce de uma educação superprotetora, com abordagem cerceadora, que não estimula a autonomia e a autosuperação.


Para Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica, o medo e a ansiedade se manifestam como uma defesa a um risco em potencial ao Ego (significa a consciência, o “eu de cada um”, ou seja, a personalidade de cada indivíduo). O referido risco pode ser externo e objetivo, como algo relacionado a uma decisão de comprar financiado uma sede própria para treinamento, ou uma ameaça interna e subjetiva de capoeira por pensamentos negativos obsessivos, como, por exemplo, a impotência para um jogo mais complexo. Assim, em alguma medida, todos nós precisamos refletir sobre nossas decisões, mas isso não deve nos paralisar por medo, nem tão pouco gerar ansiedade.


Quantas vezes observamos jogos de capoeira tensos que não se desenvolvem, pois existe uma ansiedade de ambos os jogadores no que está "por vir", ou um deles não se permite "sair deste lugar de medo", não deixando o jogo fluir com leveza e naturalidade, simplesmente por temer ser "pego" pelo parceiro na roda. Na grande maioria das vezes, as pessoas tentam conviver com a ansiedade dos desdobramentos da vida, vivendo uma apreensão constante, buscando antecipar tudo, se prevenindo contra todas as possibilidades tangíveis de um futuro "negativo", ou imersos em inseguranças e dúvidas paralisantes, sempre na esperança de que alguém resolverá o problema delas, por uma dependência nociva de outras pessoas.


De um jeito ou de outro, a ansiedade nos projeta para um futuro que ainda não aconteceu, e pior, que pode não acontecer nunca, nos privando de - no PRESENTE - viver experiências maravilhosas em capoeira, sempre por estar "com o freio de mão puxado". Claro que dentro desta ENTREGA proposta, há riscos de viver jogos difíceis nos quais levaremos perdas para analisar, a posteriori, as falhas de nosso jogo, ou nos desafios das relações/diálogos no jogo .


Enfim, a moral da história é que primeiro, as nossas limitações e sucessos como ser humano, carregam muito do que vivemos nas relações com nossos responsáveis lá na infância. Segundo é que, mesmo sendo fruto do que a infância pôde nos contribuir, ainda estamos "vivos" para analisar e mudar e, neste sentido, a capoeira é um grande celeiro promotor de experiências para estudo e mudança de nossa psiquê! O convite aqui é para seguir em movimento para que possamos ser, SEMPRE, a melhor versão de nós mesmos.


Então...Vamos lá.... Sigamos o ditado que diz "Quem tem medo de cagar, não come"....

Axé!

Ouça Texto13_O Capoeira "bunda de caruru" de Mestra Brisa _ Carol Magalhães no #SoundCloud

https://soundcloud.app.goo.gl/EUAqx

Ei, psiu! Gostou? Então compartilhe para que nossa capoeira possa refletir!

CAPOEIRA SOFISTICADA do SÉC. XXI: entre a potência da felicidade e a felicidade da potência


Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin


Você já parou pra pensar um pouco nos infinitos jogos que fez, ou vistes fazerem, onde a sua preocupação, ou a do(a) outro(a), estava mais no *olhar do espectador da roda, do que "efetivamente" na conexão com o (a) parceiro(a)?* Já percebeu que as vezes a gente fica mais preocupado com a beleza do movimento, do que com sua eficiência no jogo? Neste texto falaremos um pouco desta "sofisticação", que nem sempre está *a serviço do objetivo central do jogo - o diálogo*. Vamos lá?! 


Buscando algo que pudesse fazer analogia com esta temática, fomos beber na fonte do termo *"sofisticação sexual"*, que está cunhado na obra de Alexander Lowen - discípulo de Wilhelm Reich, em seu livro "Amor e Orgasmo", e este define que, em contraponto à um passado de proibições e restrições das questões relativas a sexualidade (seja na infância e adolescência, seja nas civilizações que nunca preparavam-nos para mergulhar neste universo como tabú), atualmente vivemos uma fase em que é preciso fazer sexo o tempo inteiro, gostando disso sobre todas as coisas, explorando todas as variações de parceiros e de técnicas sem a mínima implicação afetiva e cuidado consigo, sendo todos aqueles que escapam desta nova faceta, considerados sexualmente problemáticos ou fora do tempo.


Nesta nova forma de vida, o desempenho performático é mais importante do que a experiência em si, pois os sentimentos cedem lugar a uma necessidade exagerada de impressionar a outra pessoa, sendo o ato sexual uma grande encenação e não a manifestação de sentimentos pelo parceiro. Neste sentido, para Lowen, este comportamento é uma camuflagem que oculta a imaturidade, os conflitos e as ansiedades sexuais provocadas pela neurose da vida em sociedade.


Para Reich, a lógica do patriarcado, a sociedade de consumo, as restrições da sexualidade nas crianças e nos jovens, por uma "moral" castradora, tem desenvolvido neuroses nos adultos que são desdobradas em problemas por exemplo como a ejaculação precoce para homens ou dificuldade de ereção, sendo estas expressões da "sofisticação sexual" que nos acomete, pois a necessidade de impressionar o outro determina uma busca desenfreada pela performance esvaziada de implicações ritualísticas com tudo que se faz, sendo este mesmo comportamento ocasionado por ansiedades, medos, culpas e frustrações que impedem a plena realização orgástica/felicidade. 


Pense conosco... Quando observamos as *rodas de capoeira na atualidade* seria possível perceber uma analogia perfeita com a *"ejaculação precoce"*, pois os jogos duram uma fração de segundos (com suas exceções), e estão investidos de uma grande dose performática, são tensos, e, na maioria dos casos, representam a expressão neurótica do século XXI, pois são protagonizados por pessoas que, em comparação ao ato sexual, estão mais preocupadas em *chamar a atenção (vaidade) do que com a experiência ritualística* daquilo que o berimbau determina no contexto do jogo, do que um "diálogo que permita a conexão, ou uma conexão que permita o diálogo".


Estes *traços neuróticos*, que estão em mim, em ti, ali, são fruto desta nossa sociedade, infectada pelo moralismo castrador que gera uma busca desenfreada por compensações, desenvolvendo uma autoconfiança artificial e afetada, gerando uma necessidade extrema de demonstração de uma *"potência fake"*, tudo isso para diminuir a infelicidade inconsciente pela impotência orgástica (assumamos aqui a potência orgástica como a incapacidade de acessar a felicidade segundo Reich). 


Ou seja, a impossibilidade de desfrutar um *bom jogo de capoeira* - com perdas, ganhos e muita sintonia, pelo medo ou ansiedade na exposição e na possibilidade de demonstrar minha fragilidade daquele minuto, dificulta uma experiência no tempo necessário de amadurecimento da dinâmica ritualística, ocasionando uma eterna frustração que faz com que eu, você ou o(a) outro(a), todos capoeiras "adoecidos", tenhamos que comprar sucessivas vezes o jogo numa tentativa de sanar o vazio interior por sua *"incapacidade" de se conectar com o contexto* para além de si mesmo.


Para nós, salvo melhor juízo, a *busca por alternativas ao problema* dos jogos de capoeira de poucos segundos e as compras desenfreadas está em dois fatores principais, sendo o primeiro deles o reconhecimento de que a capoeira, não sendo uma *ilha social*, não funciona "isolada" das mazelas psicológicas que afligem os seres humanos no mundo "civilizado", logo, a solução precisa ser conjuntural. 


Este primeiro fator nos conduz a segunda estratégia que é focada na especificidade da capoeira e seus praticantes, ou seja, educando os mestres para uma *referência ancestral iniciática* que respeite o tempo de amadurecimento ritualístico da arte e referende o "sentir" em detrimento de uma performance esvaziada e artificial, estaremos preservando grandes valores ancestrais que de fato edificam uma prática de capoeira mais genuína. 


Concorda? "Sem"corda? Faça uma breve pesquisa e veja a *"capoeira das antigas"*, passei pelo jogos filmados das primeiras décadas deste século. Onde estava a intencionalidade dos capoeiras? Na câmera que o filmava? Na plasticidade do movimento? Ou majoritariamente no cuidado com a belicosidade do outro? No cuidado com todos os meneios que o parceiro de jogo poderia ofertar como desafio? De certo que nestas décadas já eram fortes as tendências que falamos acima porém, veja como tudo parece que tomou rumos mais neuróticos, menos conectados - em contrapondo a era da conexão tecnológica? 


É gozado... (risos)... Mas a real é que não conseguimos "gozar" de um bom jogo de capoeira exatamente como temos dificuldades de "gozar" com plenitude a vida em sociedade. Que possamos aceitar que, como dizia Vinicius de Moraes... *"A vida não é brincadeira, amigo... A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida." Saravá!*

Axé!

Ouça Texto 12_Capoeira sofisticada do séc XXI: entre a potência da felicidade e a felicidade da potência de Mestra Brisa _ Carol Magalhães no #SoundCloud:h

https//soundcloud.app.goo.gl/Zan3c

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ANALOGIAS CAPOEIRANAS: o diálogo entre o "burro" e o "cavalo"


 Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin


Certa feita em uma fazenda lá pelas bandas de Maracangalha, aconteceu uma conversa curiosa entre o burro e o cavalo, sendo o diálogo da seguinte forma:

- Ola Sr. cavalo, como vai? - disse o burro.

- Estou bem seu burro... - respondeu o cavalo.

- Eh....Hoje tá difícil, pois o capataz, sob o pretexto de parecer "dono da razão", colocou a cela em mim muito apertada, mas eu resolvi não reclamar, pois tive medo de uma atitude mais hostil dele... - reclamou o burro.

- Pois é, se fosse comigo eu daria logo um coice.....Comigo é assim, pois resolvo logo.... - disse o cavalo.

- A verdade, Sr. cavalo, é que dói muito a cela apertada, mas mesmo assim não tenho coragem de reclamar, pois esta é a vida que DEUS quer para um burrinho como eu... - afirmou o burro.

- Não tem DEUS certo.....Meto a porrada pelo coice e tá tudo certo! - exclamou o cavalo.

- Eu penso...Se reclamar será pior, pois posso perder minha comida, água e capim...O que será de mim sem estas coisas? São tudo que preciso pra viver... - afirmou o burro.

- Burro, eu sou cavalo, então comigo é diferente...Resolvo logo relinchando alto e distribuindo coices... - exclamou o cavalo.

- Sr. cavalo, o que acha de nos juntarmos e convocarmos os outros bichos para uma assembléia em favor de melhores condições? - perguntou o burro.

- Burro, eu sou CAVALO, e nós não nos misturamos com esta turma inferior...Até você, só falo porque, querendo ou não, temos um pequenino grau de parentesco... - respondeu o cavalo. 


O burro, nem tão "burro", pasmo, saiu triste pensando no pouco ou nulo senso de coletividade do Sr. cavalo, que é bom em dar coices, mas péssimo no quesito de "lutar" coletivamente.


A alegoria da historinha acima ilustra bem o perfil de nossa comunidade de capoeira, pois temos diversos "burros" e outros tantos "cavalos", todos padecendo da incapacidade de mudar sua condição de submissão, uns pela dificuldade em lutar contra a relativa comodidade da subserviência, e outros, pela resposta visceral agressiva totalmente ineficiente pela desarticulação com o "todo", e tola crença que está em condição de privilégio, logo, não necessitando lutar por ganhos duradouros que não sejam do minuto.


A capoeira encerra em sua maior manifestação - a roda, diversos ensinamentos que ajudam na compreensão de possíveis caminhos para avaliar esta historinha alegórica. Se estivermos em um momento difícil, por não termos repertório diversificado para responder a um jogo mais complexo, com um grande capoeira, talvez o melhor a ser feito, neste caso, não é ir ao confronto direto, ou melhor, não se colocar como alguém que se põe a cavar uma derrota para o outro, utilizando uma queda bruta, ou recursos que extrapolam nosso código de ética em capoeira. Talvez uma das saídas seja fazer um jogo onde, reconhecendo a superioridade do "problema", me alio, aprendendo e compondo um dueto, entrando quando posso, saindo sempre que conseguir. Lição nº 1. Se não "guenta" com a situação, "alie-se" a ela", ou como se diz aqui na Bahia, "se não guenta vara meu pai, peça cacetinho".


Outra situação... Se nos arvorarmos a fazer uma roda, e neste dia, nenhum aluno puder comparecer, nem os amigos ou os colegas puderem compor este momento, com certeza, além de não conseguirmos construir uma roda, estaremos fadado a terminar o dia tocando nosso berimbau sozinho e/ou fazendo um treininho básico, "monólogo de mim comigo mesmo", somente para não enferrujar.


Já noutro dia, se conseguirmos reunir uma turma, seja de alunas(os), amigas(os) ou colegas, este momento poderá ser rico, lúdico, uma verdadeira egrégora, caso todas(os) contribuam com sua parcela de conhecimento e energia para edificarem este momento. Isso tudo porquê a roda de capoeira é feita por um coletivo de pessoas que, reunidas, constroem sua energia para benefício de todos(as). Canto, coro, palmas, jogos, múltiplos instrumentos, tudo isto se reúne para, assim, dar o tom deste ritual. Quanto mais sintonizados, maior o AXÉ e a satisfação de quem usufrui deste momento ritualístico. Lição nº 2 "Juntos vamos mais longe".


Enfim, poderia levantar aqui diversas lições a partir da capoeira, MAS o que mais me importa, é deixar o alerta para burros, cavalos, éguas, e toda a bicharada, de que se vocÊ estiver atento, verás o quanto a capoeira nos dá "régua e compasso". O quanto lutar sozinho, nunca foi a lição para o capoeira. O quanto o individualismo é arma de quem de fato NUNCa sentiu a capoeira "EM SUA EXPRESSÃO VIVA".


Acorda CAPOEIRA! Já dizia o ditado popular "Sozinhos vamos mais rápido, JUNTOS vamos mais longe".

Axé!

Ouça Texto 11_Analogias capoeiranas: diálogos entre o burro e o cavalo de Mestra Brisa _ Carol Magalhães no #SoundCloud: https://soundcloud.app.goo.gl/ANWPz

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5 de nov. de 2020

(DES)CAMINHOS DA CAPOEIRA: Entre o que queremos e o que fazemos


 Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

 O antigos sempre diziam..."fulaninho mirou no peixe e acertou no gato"..."eita pessoa de sorte"... Seria bom se fosse sempre assim, ou seja, se o descompasso entre o objetivo final e o caminho para alcançá-lo pudesse sempre ser corrigido pelas mãos do "destino". Neste sentido, trataremos nas linhas que seguem de alguns desencontros vivenciados na capoeira, considerando a diferença entre o que queremos e aquilo que, de fato, estamos fazendo para alcançar dado objetivo.

 É comum ouvirmos de vários capoeiras que os mesmos sonham com a emancipação da arte e conseqüente valorização das culturas populares de matriz africana, contudo, muitas vezes, aqueles que sonham com a tal mudança, são os protagonistas diretos de comportamentos humanos que depreciam a capoeira e toda sua comunidade.

 Não é difícil encontrar capoeiras que tem atitudes extremamente violentas em roda, e que quando conversamos com eles sobre suas metas dentro da arte, eles afirmam que desejam ver mais respeito no jogo e valorização dos fundamentos....oxente!....O que é isso? Uma espécie de catarse coletiva?.... O fato concreto é que muitos nem sequer conseguem perceber o disparate entre sua fala e suas atitudes.

 Outro dia conheci um cidadão que FORA da roda era calmo, manso, falava sobre educação e respeito em suas aulas, defendia a cultura de paz em suas palestras dizendo que a capoeira é um excelente instrumentos para este objetivo, até mantinha uma vida saudável, alimentação vegetariana, fazia Yoga, e, pasmem, quando ADENTRAVA o espaço da roda, se transformava no pior dos indivíduos, despropriado de qualquer senso de cuidado consigo e com o outro, só querendo jogar pra cima, veloz e sempre fora do ritmo da bateria, em franco "ataque epiléptico", combinando vaidade e desatenção com o que fala e deseja em seu estado de "repouso". Quantas vezes você se deparou com um capoeira destes?... Pois é!?

 Outro dia li um texto de um destes "revolucionários do minuto", aqueles que não conseguem nem equilibrar suas próprias vidas, mas se arvoram a "lutar" pela humanidade... (só rindo)... No texto, este indivíduo, em tom eloqüente, defendia a importância dos editais públicos para os antigos mestres de capoeira, mas, contraditoriamente, a mesma figura do discurso bonito estava envolvida com atos ilícitos na gestão de verba pública de editais... Epa!!!  Pára tudo !!! É muita loucura e/ou falta de caráter... 

 Em tempos de forte discussão sobre a regulamentação profissional da capoeira, por exemplo, tenho visto muitas pessoas defendendo o respeito as diferenças e o amplo exercício democrático, contudo, ao mesmo tempo, apóiam uma lógica de gestão para a capoeira que estabelece uma reserva de mercado controlada por uma CRECA (Conselho Regional de Capoeira) que, possivelmente, será capitaneado por pequenino "grupinho" de egos desfilantes... Ahhhh, CRECA foi um termo cunhado pelo amigo, Mestre Jones Birro Doido, que retrata com maestria a "ferida" aberta em nossa arte... Minha gente, cadê o bom senso dos defensores da tal CRECA?

 Pense comigo outra situação... Quando algum capoeira, dizendo-se "ativista étnico" em favor do povo preto, jogam com identidade totalmente vinculada a lógica de ocidentalização da capoeira, valorizando exageradamente a performance individual, a espetacularização do jogo e um profundo esvaziamento ritualístico, negando muitos dos princípios afrodescendentes, o que ele DE FATO representa? Se nem ao menos se percebem fortalecendo um formato de capoeira que NEGA e negligencia sua própria ancestralidade, NÃO estaria ele depondo CONTRA sua "bandeira de luta"? Isso é ingenuidade ou má fé?

 Ou seja, qual a ligação entre o que falo e o que faço? Entre o que desejo e o que faço para alcançar? Se pudermos lembrar que "Quem planta colhe", que "Se plantas limão, só poderás colher limão", e que "tudo que semeias, cedo ou tarde, terás que colher" TALVEZ comece a se perguntar "O que estou plantando?" para ver se, de fato, COLHERÁS o que desejas!

 

Axé!

 

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 Escute o áudio deste texto, basta clicar no link abaixo:

https://soundcloud.com/mestra-brisa-carolina-magalhaes/texto-10-des-caminhos-da


29 de out. de 2020

Programa "No mundo da Luta" entrevista a Mestra Brisa


 

Em 2020, convite para participar do Conselho de mestres da World Capoeira Federation!


 Em 2020, ingresso no conselho de mestres da World Capoeira Federation, levando a missão de representar o olhar para segmentos específicos dentro da cultura da Capoeira. Serei a primeira mulher de muitas a fazerem esta representação com competência, reconhecimento e responsabilidade.

Missão dada, missão cumprida!

Grata pelo convite!


Lives com a Mestra BRISA neste período pandêmico _ MAIO a OUTUBRO/2020
















 Então... A gente fica em casa mas não pára de produzir e interagir com a nossa capoeira...

Lives com a Mestra BRISA neste período pandêmico _ MAIO a OUTUBRO/2020

Live com a FEderação Paulista de Capoeira e Escola Internacional de Caoeira, venha, participe!


 Conversamos com os professores Eduardo Okuhara e Ana Cristina... 
Caso queiram assistir a live abaixo deixo o link no youtube...

 Live com a Mestra Brisa.

https://youtu.be/zmuLxi0Qba8

13 de out. de 2020

ARMANDO O BERIMBAU DA VIDA

 

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

  

A reflexão que se segue tentará aliar alguns princípios que devem reger nossas vidas e como estes podem se interligar com a dinâmica de armar um bom berimbau. Desta forma, tentaremos expor algumas possíveis metáforas da capoeira na vida.

 

Inicialmente, logo de partida, é preciso lembrar que para armar um bom berimbau teremos, antecipadamente, que escolher as partes que o compõem com grande cautela, pois se a biriba não casar bem com a cabaça, todo o processo de armação será ineficiente para harmonização do instrumento, ou seja, trazendo para a vida, antes do passo em direção a construção de algo, é fundamental verificar se as "partes" que se juntam na ação podem se "encaixar perfeitamente", talvez por isso tantos casais, sabiamente, namorem por um tempo antes de firmar compromisso de matrimônio.

 

Ainda tratando das partes, vamos falar da biriba... Uma biriba de boa qualidade precisa ser bem feita, descascada, lixada, cuidada e "amaciada" pelo uso, pois apenas nessa lida, com as intempéries do dia a dia, ela poderá se transformar na biriba ideal, que por mais enfeitada que seja, será sempre qualificada de verdade pela harmonização com outra parte, a cabaça. Assim, como na vida, cada pessoa precisa ser mais do que os enfeites que carrega e da aparência que apresenta, pois sua real beleza sempre estará na capacidade de lidar com a diferença, e semelhante a biriba, é o tempo REI que se encarrega de nos burilar com as provações necessárias para atingirmos a tal beleza REAL, aquela que não se vende na esquina, mas que adorna corações sensíveis ao bem.

 

Armar um berimbau exige TEMPERANÇA, CUIDADO e EQUILÍBRIO no uso da força, pois qualquer movimento mais desatento poderá romper a integridade de alguma das partes do conjunto. Levando este ensinamento para a vida, essas são qualidades fundamentais no exercício de viver em comunidade, pois como dizem as escrituras sagradas "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mateus 5:5)... A analogia com a bíblia, para além de uma interpretação rasa em proselitismo religioso, é trazida, pois fundamenta a lógica de que na "construção" de qualquer obra, é preciso calma e bom senso.

 

O líder religioso Dalai Lama afirma que "a paciência protege a nossa paz de espírito diante da adversidade. É uma resposta deliberada às fortes emoções e aos pensamentos negativos que tendem a surgir quando encontramos algo que nos faz mal". Neste sentido, reafirmamos que, como na vida, na arte capoeira, calçar a biriba em um bom lugar de apoio, fixar as mãos na altura da enfieira, colocar o joelho no centro da verga, cuidadosamente, em movimento simultâneo de pé, mãos e joelho, definitivamente é algo que nos exigirá concentração, uma boa dose de paciência e TEMPO, nos servindo como experiência viva do conselho do Mestre Dalai Lama.

 

Enfim, biriba e cabaça em harmonia, gerando o axé que mobiliza vidas em torno do ritual da roda, não são frutos do acaso, são fruto da reunião de diversos conhecimentos e valores ancestrais... Ou seja, temperança, cuidado, equilíbrio, paciência, atitude e  perseverança são valores que, se reunidos, armam um bom instrumento, mas também erguem uma vida de prosperidade.

Se nós conseguirmos trazer os ensinamentos que a capoeira nos dá em cada ritual, em cada instrumento preparado e tocado, em cada jogo feito, aula dada, em cada evento ou viagem realizados, ou em cada dia em que não desistiu da arte, com certeza poderás dizer "a capoeira é minha filosofia de vida", com certeza poderá afirmar "eu sou a própria capoeira".

 

Axé!

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Ouça grátis áudio deste texto:

https://soundcloud.com/mestra-brisa-carolina-magalhaes/texto-9-armando-o-berimbau-da











5 de out. de 2020

CAPOEIRA é coisa de "MACHO"!?


Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

Nascemos homens e mulheres, mas o mundo pode nos tornar, culturalmente, a expressão de uma caricatura mal resolvida de "macho ou fêmea", ou seja, somos mais do que a objetividade biológica determinada geneticamente. Neste sentido, me parece oportuno dialogar sobre a expressão desta tal "macheza" na arte capoeira.

 

A maioria dos homens é educado para ser truculento e rude, como forma de expressão para conquista de seu espaço de poder, seja este relacionado a outro homem, ou a uma mulher. Assim, invariavelmente, nos transformamos em uma espécie de "ogro afetivo", em busca de uma aceitação social, para um papel predeterminado que assegura uma heteronormatividade e um patriarcado hegemônico.

 

Desde a mais tenra idade, sempre ouvi expressões como: "homem não chora", "tem que brincar de luta", "mulher gosta que pegue com força", "o homem é o esteio da família", "o macho de verdade nunca brocha"....E por aí vai....Ou seja, quem não se enquadra neste perfil de masculinidade tóxica, não será digno da respeitabilidade social. Assim, concretamente, mesmo reconhecendo todo o sofrimento social histórico das mulheres, me permito dizer que ser "gente" neste mundo adoecido, é ruim para ambos os sexos.

 

Na capoeira este perfil adoecido esta por toda parte, na truculência do jogo, na objetificação dos corpos, na "sexualidade vazia", nas reflexões limitantes pela cor da pele e/ou gênero, enfim, são muitos os exemplos nocivos ao fluxo das culturas populares, e conseqüentemente na emancipação humana pela arte de matriz africana.

 

As pessoas na roda se transformaram em números de "grupos-produto", não se conectam entre si, apenas disputam espaços de poder, como uma odisséia desvairada em busca de uma significação social validada por um determinado "coletivo", que faz da capoeira apenas um veículo de exercício da neurose de pessoas "perdidas/encontradas" pelo ódio adquirido numa vida de culpas e repressões.

 

Analise comigo... A capoeira, enquanto arte nascida em terreno ocidental em diálogo direto diaspórico africano, guarda uma relação de flerte tanto com a matriz africana, quanto com as forças do patriarcalismo, um sistema social em que homens mantêm o poder primário. Nesse "jogo" de relações, os valores civilizatórios africanos (circularidade, ancestralidade, memória, axé - energia vital, musicalidade, etc) tendem a ceder lugar para que a energia do masculino, modele nossas ações dentro da arte capoeira, construindo uma série de padrões adoecidos/tóxicos tanto para homens, quanto para mulheres.

 

Mas isso quer dizer que a energia masculina é perigosa? é ruim? Definitivamente, NÃO! Dentro de homens e mulheres, segundo estudos na área da psicologia, coexistem as duas energias, sendo a energia do masculino, relacionada a força da ação, razão, da exposição, tendo o astro-rei Sol como símbolo, e a energia do feminino, relacionada a força do sentir, do recolhimento, do anoitecer, do inverno, ligada a Lua. Ou seja, se nossa sociedade reconhece e valoriza a força masculina, negligenciando e discriminando tudo que se relaciona a força do feminino, como exigir que possamos nos olhar dentro de uma roda, sem predispor a disputa de poder neste local?

 

Nesta mesma linha de raciocínio, como exigir que numa roda de capoeira que tenhamos a sensibilidade para uma atitude educada, sensível, humanizada e cortês, se na exacerbação do masculino, tudo que é validado é o comportamento agressivo, bruto e concorrente? Se, ao ser cortês, o homem é tido como fraco e não-viril, e a mulher é promíscua e disponível.

 

Este exemplo nos convoca a pensar num movimento que possa fazer um contraponto a este grande desequilíbrio estrutural, naturalizado em nossa comunidade. O primeiro é um movimento de RECONHECIMENTO destas forças que habitam em cada um de nós, e que se sufocadas (o feminino em mulheres e homens) trarão sempre o adoecimento das pessoas por não poderem se permitir a harmonia.

 

E o segundo movimento será o de estabelecer um JOGO DE CAPOEIRA, dialógico e às vezes tenso, com os padrões sociais estabelecidos para homens e mulheres, revendo os que forem nocivos e que subordinam seres humanos pela competição desleal, autoritarismo, hierarquização das relações, truculência e falta de diálogo ou de recuo.

 

No final das contas é dizer que a energia feminina que mobiliza o RECUO, não configura a perda, e que a energia masculina que projeta o AVANÇO, nem sempre garante o ganho, pois tudo é parte de um meneio de "jogo" na vida, vislumbrando dias melhores!

 

Axé!

 

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Escute também no APP Soundcloud, no perfil da Mestra Brisa:

https://soundcloud.com/mestra-brisa-carolina-magalhaes/texto-8-capoeira-e-coida-de


10 de ago. de 2020

Os capoeiras e a "boca torta" pelo costume do cachimbo

 

Os Capoeiras e a "Boca Torta" pelo Costume do Cachimbo:

A naturalização das aberrações

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

 

 

Como já dizia minha vó...."o costume do cachimbo deixa a boca torta", e neste mesmo sentido, penso que a naturalização de alguns comportamentos na capoeira também criou uma espécie de desvio tortuoso daquilo que deveria ser regido pelo bom senso. Assim, discorreremos abaixo sobre a natureza destes comportamentos nocivos a arte.

 

Vamos lá... Um primeiro comportamento muito freqüente entre alguns capoeiras é a "fofoca", o "disse-me-disse", muitas vezes tão observado que parece até ser um elemento identitário, quando de fato é apenas mais um comportamento humano desprezível, pois, invariavelmente, quem fala mal de alguém para você, quase sempre falará mal de você para os outros. Assim, aprenda de uma vez por todas que o antídoto para a fofoca é parar o fofoqueiro, se recusando a ouví-lo... Dizendo..."não me interessa".....sorrindo e saindo de perto...

 

Um segundo comportamento é a inveja, um outro comportamento feio, pois consome o invejoso por uma energia paralisante e não agrega nada de positivo para a comunidade. Como já dizia o grande mestre Riachão do samba... "A inveja tem quatro olhos, a inveja não vive bem, a inveja berço da incapacidade, vive com maldade, roubando o sossego de alguém". Desta forma, o invejoso sempre vive como um parasita da vida alheia, uma espécie de sanguessuga que nada produz e vive de criticar a construção do outro... Lembre minha amiga, meu irmão! O melhor remédio para a inveja é o TRABALHO e o esquecimento para estas pessoas, e logo verá todas elas ficando para trás, afundando na "lama", e sua vida... haha!... sua vida prosperando!

 

Um terceiro comportamento digno de tristeza é o uso de drogas. Estas substâncias psicoativas, permitidas ou não, são hoje um grande desafio para nossa comunidade, pois para muitos é aceitável, pois faria parte das ações individuais e privadas, não cabendo o crivo moral, social... Seeeeeráááááá? E pior, quando vemos que praticantes de determinado estilo de capoeira já são socialmente associados ao uso de determinado tipo de droga - o cachimbo da paz. Quanto equívoco! Penso no uso destas substâncias como um dos grandes males de uma sociedade adoecida, em que o alívio das mazelas do dia-a-dia precisa ser feito por uma desconexão da realidade, criando assim um exército de "zumbis" culturais. Ainda pior quando este uso é protagonizado por quem deveria ser, em tese, o tutor de crianças e mais jovens, educando pelo exemplo positivo.... Lamentável...

 

Um quarto exemplo, só pra não "esquecer de lembrar"... O ajuntamento em "grupinhos", é outra grande dificuldade da comunidade, pois enfraquecem o sentido UBUNTU, filosofia africana que diz que "SOU porquê SOMOS", e desarmonizam as relações com a diversidade, criando uma "luta" entre excluídos que se tornaram semelhantes ao pior dos excludentes da classe dominante, ou seja, muitas vezes estes coletivos não se percebem manipulados pelo opressor para enfraquecer a "luta" contra os verdadeiros donos do capital. E assim... a cor da pele, o gênero, a orientação sexual, acabam sendo pontos de "desencontros", quando poderiam ser a grande ferramenta de "encontro" pela percepção de que todas essas ditas minorias são exploradas pelo modo de produção que "coisifica" todos em favor do lucro.

 

Só pra não esquecer, um quinto e último comportamento... A defesa e cooptação dos capoeiras, por uma política partidária, predatória e manipuladora, é um mal terrível nos dias atuais, pois tenta a todo custo "arrebanhar" os menos críticos para projetos de poder que enganam o povo, dizendo ser a luta pelo bem comum, sendo na verdade em favor do "umbigo" dos donos de discursos "revolucionários", que, na maioria das vezes, não conseguem nem alterar a obscuridade da própria vida, mas insistem em transformar o "mundo do outro" com receitas prontas.

 

Enfim, 05 exemplos de comportamentos humanos que hoje só projetam a nossa arte pro fundo do poço... Eu poderia seguir descrevendo diversos outros conflitos naturalizados como "normais", cachimbos que deixam nossa "boca torta", mas por hora irei chamar o jogo... O berimbau não quer mais falar... Pra terminar pergunto... Você é mestre? Está a caminho da mestria? Então me diz... jogarás este "cachimbo" longe? ou seguirás como citado nas escrituras sagradas "vendo o cisco no olho do teu irmão e sem reparar a trave que está no teu próprio olho"?

 

Axé!

 

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